Dinheiro esquecido no CPF: confira como descobrir se você tem direito
O Banco Central divulgou nesta terça-feira (8) que cerca de R$ 10,15 bilhões ainda aguardam devolução no Sistema de Valores a Receber (SVR). Desde o lançamento da ferramenta, já foram pagos R$ 10,69 bilhões aos beneficiários, o que representa quase metade do montante total de R$ 20,84 bilhões identificados como dinheiro esquecido em bancos, cooperativas e outras instituições financeiras.
Conteúdo do artigo:
O SVR foi criado para permitir que cidadãos e empresas descubram, de forma gratuita e online, se possuem dinheiro parado em contas antigas, consórcios, cooperativas de crédito ou mesmo tarifas e parcelas cobradas indevidamente.
A consulta pode ser feita a qualquer momento, sem necessidade de cadastro inicial, bastando acessar o site oficial e inserir dados básicos como CPF e data de nascimento, no caso de pessoas físicas, ou CNPJ e data de abertura para empresas, inclusive as já encerradas.
Leia Mais:
Quais são os carros mais econômicos atualmente? Confira
Como funciona o resgate

Embora a consulta inicial seja aberta, o resgate dos valores exige login na conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, com autenticação em duas etapas. Essa exigência é uma forma de garantir a segurança e evitar fraudes, permitindo que apenas o titular ou seu representante legal tenha acesso ao dinheiro.
Além de pessoas físicas e jurídicas, herdeiros também podem reivindicar valores esquecidos por pessoas falecidas. Nesse caso, o acesso é autorizado a herdeiros, inventariantes ou representantes legais, que devem assinar um termo de responsabilidade no próprio sistema. A consulta segue o mesmo procedimento, mas o resgate exige a comprovação do vínculo legal com o titular falecido.
Novidade: solicitação automática
Desde maio, o sistema oferece a funcionalidade de solicitação automática, que permite que novos valores sejam transferidos diretamente para a conta do beneficiário assim que forem identificados. Para ativar o recurso, é necessário ter uma chave Pix cadastrada no formato CPF e aceitar a adesão dentro do SVR. Por enquanto, essa opção está disponível apenas para pessoas físicas e é totalmente opcional.
Essa novidade busca agilizar o processo e evitar que pequenos valores fiquem esquecidos por longos períodos, já que a transferência ocorre sem a necessidade de uma nova solicitação manual.
Quem ainda não retirou o dinheiro

Mesmo com a facilidade de acesso e resgate, milhões de brasileiros ainda não buscaram seus valores. O Banco Central estima que 48,1 milhões de beneficiários não realizaram a retirada, sendo 43,9 milhões de pessoas físicas e 4,2 milhões de empresas. Por outro lado, 31,3 milhões de correntistas já recuperaram recursos por meio do sistema.
A maior parte dos beneficiários tem direito a valores pequenos. Cerca de 62,84% podem receber até R$ 10, enquanto 25,06% têm valores entre R$ 10,01 e R$ 100. Outros 10,21% possuem quantias de R$ 100,01 a R$ 1.000, e apenas 1,89% têm direito a mais de R$ 1.000. Apesar das cifras modestas na maioria dos casos, especialistas destacam que até os valores menores podem representar alívio para quem enfrenta dificuldades financeiras.
Segurança e importância da consulta
O Banco Central reforça que a consulta deve ser feita exclusivamente pelo site oficial valoresareceber.bcb.gov.br. Links recebidos por aplicativos de mensagens, redes sociais ou e-mails podem ser golpes. A autenticação via Gov.br e a exigência de níveis de segurança mais altos foram adotadas para proteger os dados e evitar que terceiros acessem indevidamente o saldo dos beneficiários.
Outro ponto importante é que a consulta deve ser feita periodicamente. Mesmo que o cidadão já tenha verificado e não encontrado valores, novas informações enviadas por instituições financeiras podem incluir montantes que antes não constavam no sistema. Assim, a recomendação do BC é que a busca seja repetida de tempos em tempos, garantindo que nenhum valor seja esquecido.
Imagem: rafapress / shutterstock.com
