Mercado em alta: Ibovespa resiste à queda das exportadoras

 

Mercado em alta: Ibovespa resiste à queda das exportadoras

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), operava em leve alta de 0,08%, aos 136.800 pontos, por volta das 14h25 desta quinta-feira (14).

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A sessão marcou uma tentativa de recuperação após a forte queda registrada na véspera, motivada pelo anúncio do pacote econômico do governo para compensar os efeitos do tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros.

No câmbio, o dólar à vista avançava levemente, negociado próximo a R$ 5,41, refletindo a cautela dos investidores diante de novos dados econômicos vindos dos Estados Unidos.

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Altas e baixas do pregão

Ibovespa
Imagem: Bro Crock / shutterstock.com

Principais altas

Entre os papéis que mais se valorizavam, destaque para:

  • Hapvida (HAPV3): +6,57%
  • Ultrapar (UGPA3): +4,01%
  • Natura (NATU3): +3,66%
  • MRV (MRVE3): +4,62%
  • Banco do Brasil (BBAS3): +2,70%

Essas empresas se beneficiaram de movimentos específicos, desde percepções positivas sobre resultados e perspectivas até ajustes técnicos após quedas recentes.

Maiores quedas

Na ponta negativa do índice:

  • Raízen (RAIZ4): -14,70%
  • Cosan (CSAN3): -6,06%
  • CSN (CSNA3): -4,99%
  • Usiminas (USIM5): -5,34%
  • Vamos (VAMO3): -3,50%

O desempenho negativo foi intensificado por fatores setoriais, como a queda do minério de ferro, que pressionou empresas de siderurgia e mineração.


Pressão das gigantes da bolsa

A performance do Ibovespa foi limitada pela queda de empresas de grande peso no índice. A Petrobras recuava 0,82% (PETR4) e 0,73% (PETR3), refletindo oscilações no preço do petróleo e movimentos de realização de lucros. A Vale (VALE3) cedia 1,44%, acompanhando a retração nos preços internacionais do minério de ferro.


Surpresa inflacionária nos EUA

O dado mais relevante do dia para os mercados globais veio dos Estados Unidos. O índice de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) apresentou alta de 0,9% em julho, contra expectativa de apenas 0,2%. A leitura acima do previsto sugere maiores custos na etapa inicial da produção, o que pode levar a repasses para o consumidor e, por consequência, a uma inflação mais persistente.

Impacto nas expectativas de juros

Para o Federal Reserve (Fed), banco central americano, o cenário indica que a meta de inflação de 2% ao ano pode demorar mais para ser alcançada. Isso reduziu o otimismo sobre cortes rápidos na taxa de juros. Segundo a plataforma CME FedWatch, a probabilidade de manutenção da taxa em 4,50% subiu de 5% para 7%, enquanto 93% ainda apostam em um corte de 0,25 ponto percentual.


Tarifaço de Trump e pacote econômico no radar

No cenário doméstico, os investidores continuaram avaliando os desdobramentos do pacote econômico anunciado para compensar o tarifaço de 50% aplicado pelos EUA sobre determinados produtos brasileiros.

Detalhes do pacote

O programa prevê:

  • R$ 4,5 bilhões em fundos garantidores para financiamento das exportações
  • R$ 5 bilhões para ampliação do programa Reintegra
  • Linha de crédito de R$ 30 bilhões com juros mais baixos
  • Inclusão de empresas de todos os portes nas medidas de apoio

O pacote, no entanto, excluiu R$ 9,5 bilhões do arcabouço fiscal, decisão que gerou incômodo em parte do mercado.


Reação do mercado ao pacote

Especialistas dividem opiniões sobre o impacto do plano nas contas públicas:

  • Visão otimista: o valor excluído é relativamente pequeno diante da urgência, não comprometendo o cumprimento da meta fiscal de 2025.
  • Visão crítica: a medida cria um precedente ruim ao abrir exceções no arcabouço, enfraquecendo a credibilidade da política fiscal.

Risco fiscal e confiança do investidor

A percepção de risco fiscal permanece como fator de atenção. Embora o pacote seja visto como necessário para apoiar empresas prejudicadas pelo tarifaço, o aumento de gastos sem compensações claras levanta dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas no médio prazo.

Essa incerteza tende a influenciar a curva de juros e a demanda por ativos de renda fixa, ao mesmo tempo que afeta a confiança do investidor estrangeiro na economia brasileira.


Perspectivas para o Ibovespa

Ibovespa
Imagem: TAW4 / Shutterstock.com

A trajetória do Ibovespa no curto prazo deve continuar sensível a:

  • Dados econômicos dos EUA e sinais sobre a política monetária do Fed
  • Oscilações nas commodities, especialmente petróleo e minério de ferro
  • Notícias sobre a execução do pacote econômico brasileiro e evolução das contas públicas
  • Fluxo de capital estrangeiro, que tende a reagir a mudanças nas expectativas de juros globais

Considerações finais

O pregão desta quinta-feira (14) ilustra bem a dinâmica atual do mercado: o Ibovespa tenta se recuperar, mas enfrenta obstáculos externos e internos. O pacote econômico para mitigar os efeitos do tarifaço de Trump trouxe algum alívio, mas o cenário fiscal e a surpresa inflacionária nos EUA mantêm a cautela elevada.

Para os investidores, o momento exige acompanhamento próximo dos indicadores e notícias, além de estratégias diversificadas para lidar com a volatilidade.

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