BNDES alcança R$ 10 bilhões de recursos aprovados no Plano Safra
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) alcançou uma marca histórica ao aprovar R$ 10 bilhões em financiamentos no âmbito do Plano Safra 2025/2026, refletindo a força e importância do setor agropecuário na economia brasileira. Desde a abertura das liberações, no dia 17 de julho, o banco tem registrado uma demanda expressiva por crédito rural em diversas frentes.
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O que é o Plano Safra?
O Plano Safra é a principal política de financiamento da agricultura no Brasil. Lançado anualmente pelo governo federal, ele disponibiliza linhas de crédito para produtores rurais, cooperativas e agroindústrias investirem em custeio, comercialização e modernização de suas atividades.
A edição 2025/2026 se destaca não apenas pelo montante recorde, mas também pela ênfase na agricultura sustentável, no apoio à agricultura familiar e na modernização tecnológica do campo.
Panorama das liberações do BNDES
Recursos distribuídos entre programas estratégicos
O montante de R$ 10 bilhões já aprovados foi dividido entre diversas frentes de financiamento dentro dos Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF) e das linhas do BNDES Crédito Rural. Dentre os destaques, estão:
- Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar)
- Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural)
- PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns)
- Moderfrota (Programa de Modernização da Frota de Tratores e Colheitadeiras)
Segundo dados do banco, dos R$ 10 bilhões, R$ 2,68 bilhões foram destinados ao custeio agrícola, ou seja, recursos para aquisição de insumos, sementes, fertilizantes e defensivos. Já as linhas de investimento em máquinas, equipamentos e obras de infraestrutura rural consumiram a maior parte: R$ 7,37 bilhões.
Apoio descentralizado e alcance nacional
Um dos diferenciais dessa edição do plano está na capilaridade da distribuição dos recursos. De acordo com o BNDES, as operações foram realizadas em parceria com instituições financeiras credenciadas, o que garantiu que os financiamentos alcançassem 93% dos municípios brasileiros.
Essa estratégia permitiu que o crédito chegasse a agricultores em regiões remotas, promovendo equilíbrio regional e redução das desigualdades no campo.
Perfil dos beneficiários: foco na agricultura familiar e médias propriedades
Quem está recebendo os recursos?
Os dados divulgados apontam que R$ 9,1 bilhões foram destinados a agricultores familiares, micro, pequenos e médios produtores e suas cooperativas.
Destaque especial para a agricultura familiar, que recebeu R$ 3,3 bilhões em crédito, representando um avanço significativo em relação às edições anteriores do Plano Safra. A priorização desse segmento está alinhada à política do atual governo de promover inclusão produtiva, segurança alimentar e fortalecimento das economias locais.
Incentivo à sustentabilidade e inovação
Outro aspecto ressaltado pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, foi o compromisso com a agricultura sustentável e inovadora. Segundo ele, os créditos aprovados contribuem para uma produção mais eficiente, com menor impacto ambiental, ao mesmo tempo em que fomentam a adoção de tecnologias no campo.
Recorde histórico e aumento no orçamento
R$ 70 bilhões disponíveis para o setor agropecuário
Nesta edição, o BNDES teve um papel ampliado dentro do Plano Safra. Por orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o banco disponibilizou R$ 70 bilhões em orçamento para financiar atividades agropecuárias.
Esse valor representa:
- 5% de aumento em relação ao ciclo 2024/2025
- 180% a mais que os recursos aprovados no ciclo 2022/2023
O número mostra não apenas um crescimento do volume de crédito, mas também a confiança dos produtores nas políticas de incentivo à produção agropecuária.
Entenda os principais programas de financiamento
Pronaf
O Pronaf é destinado à agricultura familiar. Os recursos podem ser utilizados em projetos de custeio e investimento, com juros subsidiados e condições facilitadas.
Entre as finalidades do Pronaf estão:
- Compra de sementes, insumos e animais
- Aquisição de máquinas e equipamentos
- Construção e melhoria de instalações rurais
- Projetos de energia renovável e irrigação
Pronamp
O Pronamp apoia os médios produtores rurais, oferecendo crédito para custeio e investimentos. Com taxas atrativas, esse programa visa aumentar a capacidade produtiva e promover a competitividade no mercado agrícola.
Moderfrota
O Moderfrota é voltado à modernização do maquinário agrícola. Os recursos permitem a aquisição de tratores, pulverizadores, colheitadeiras e implementos. O objetivo é impulsionar a produtividade, reduzir o tempo das operações e diminuir perdas no campo.
PCA
O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) tem como meta solucionar gargalos na logística de armazenagem de grãos e outros produtos agropecuários. Financia a construção e melhoria de silos, galpões e estruturas de armazenagem, fundamentais para evitar perdas pós-colheita e melhorar a comercialização.
Avaliação do BNDES e perspectivas para 2026
Alta procura e agilidade nas liberações
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o resultado como “expressivo e histórico”, ressaltando a capacidade operacional da instituição em responder com eficiência à demanda do setor rural.
“Esse desempenho mostra a alta demanda por recursos e a capacidade do BNDES em atender, com agilidade e eficiência, este setor que é um dos principais motores do desenvolvimento econômico”, afirmou.
Para Mercadante, a expectativa é que, até o fim do ano-safra, o banco atinja a execução total da dotação disponível, reforçando seu papel como agente estratégico no financiamento agrícola.
O impacto do crédito rural na economia
Setor agropecuário como motor do PIB
O agronegócio representa cerca de 25% do PIB brasileiro e responde por quase metade das exportações nacionais. Diante disso, políticas como o Plano Safra têm papel central na manutenção do crescimento econômico, da geração de empregos e da segurança alimentar.
Além disso, o crédito rural tem efeito multiplicador, estimulando:
- Cadeias produtivas locais
- Comércio e serviços no interior
- Inovação tecnológica e sustentabilidade
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