Real surpreende e lidera valorização global, superando impacto de tarifas dos EUA
Mesmo após tarifas comerciais impostas pelos EUA, o real teve a maior valorização entre as principais moedas globais no último mês.
Mesmo com o peso do chamado “tarifaço” aplicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 9 de julho, o real brasileiro registrou o melhor desempenho entre as principais moedas do planeta nos últimos 30 dias. A apuração, divulgada por Lauro Jardim no jornal O Globo, aponta que a valorização ocorreu em um cenário de maior pressão comercial sobre o Brasil.
Conteúdo do artigo:
Contexto: tarifas mais altas e pressão sobre o comércio
O aumento das tarifas comerciais colocou o Brasil entre os países mais tarifados do mundo, segundo levantamento do Banco Central.
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Apesar disso, a moeda nacional reagiu de forma surpreendente, contrariando previsões iniciais de enfraquecimento frente ao dólar.
Valorização do real no período
| Moeda | Valorização (%) |
|---|---|
| Real (Brasil) | 3,7 |
| Rand (África do Sul) | 1,8 |
| Florim (Hungria) | 1,3 |
| Peso (Chile) | 1,2 |
Outras moedas que registraram alta
O levantamento identificou que poucas moedas conseguiram valorização no período, e mesmo assim, com avanços modestos. Entre elas:
- Libra esterlina: +0,5%
- Peso mexicano: +0,8%
- Zloty polonês: +0,1%
- Euro: +0,1%
As demais moedas registraram perdas frente ao dólar, evidenciando a força relativa do real.
Desempenho no curto prazo
O Banco Central também analisou o comportamento das moedas nos últimos cinco dias do período estudado.
Mesmo nesse recorte menor, o real manteve a liderança, mostrando força consistente no câmbio.
- Argentina: queda de 3% no peso argentino.
- Índia: recuo de 2% na rúpia indiana.
- Outras economias emergentes também registraram desvalorização, em contraste com o cenário brasileiro.
Possíveis fatores para a valorização do real
Apesar do cenário adverso no comércio exterior, alguns fatores podem ter contribuído para a valorização da moeda brasileira:
Fluxo de capitais estrangeiros
A entrada de investimentos estrangeiros no país, especialmente no mercado de renda fixa, aumentou a demanda pelo real e impulsionou seu valor.
Juros domésticos elevados
A taxa Selic, mantida em patamar elevado, tornou os títulos públicos brasileiros mais atrativos para investidores internacionais, incentivando a compra de moeda local.
Expectativas fiscais
Sinais positivos sobre controle de gastos e avanço de reformas econômicas ajudaram a melhorar a percepção de risco em relação ao Brasil.
Repercussão no mercado
O “tarifaço” norte-americano ainda pode impactar negativamente as
exportações brasileiras, especialmente em setores como aço, alumínio e
produtos agrícolas.
No entanto, a resiliência cambial sugere que, no curto prazo, a confiança na economia brasileira permaneceu mais forte do que o esperado.
Comparativo histórico
Segundo dados históricos do Banco Central,
valorização de magnitude semelhante em um período de 30 dias é incomum
para o real, sobretudo quando há tensão comercial com grandes parceiros.
Em 2023, por exemplo, eventos semelhantes resultaram em desvalorização de 1,5% no mesmo intervalo.
Perspectivas para os próximos meses
Economistas divergem sobre a continuidade da valorização:
- Cenário otimista: manutenção do fluxo de capitais, estabilidade política e avanço de reformas estruturais podem sustentar o real em patamares mais fortes.
- Cenário de alerta: agravamento da disputa comercial com os EUA e possível desaceleração econômica global podem inverter o movimento, levando à desvalorização.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Outras moedas também se valorizaram no período?
Sim, mas com variações menores, como o rand sul-africano (+1,8%) e o florim húngaro (+1,3%).
2. Essa valorização significa que a economia brasileira está livre de riscos?
Não. Apesar do resultado positivo, fatores externos e internos ainda podem influenciar negativamente a moeda.
3. Qual foi o desempenho do real nos últimos cinco dias analisados?
O real manteve-se como a moeda mais valorizada, enquanto moedas como o peso argentino e a rúpia indiana registraram queda.
Considerações finais
O desempenho recente serve como exemplo de que, em economia,
nem sempre pressões externas se traduzem imediatamente em perdas
cambiais. A leitura desse fenômeno exige atenção constante aos fluxos de
capital, políticas monetárias e confiança dos agentes econômicos —
fatores que, juntos, moldam o valor do real no mercado global.
