Dólar dispara a R$ 5,41 enquanto Bolsa reage a indicadores do Brasil e EUA

 

Dólar dispara a R$ 5,41 enquanto Bolsa reage a indicadores do Brasil e EUA

Nesta quinta-feira (14), o mercado financeiro brasileiro viveu uma manhã de forte oscilação, refletindo dados econômicos dos Estados Unidos e do Brasil. O dólar comercial disparou para R$ 5,41, enquanto o Ibovespa abriu em queda, mas inverteu o sinal ao longo do dia, impulsionado principalmente por ações do setor bancário.

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A pressão sobre a moeda brasileira foi provocada por dois dados norte-americanos que surpreenderam analistas: o Índice de Preços ao Produtor (PPI) acima do esperado e pedidos iniciais de seguro-desemprego mais baixos que as projeções.

De acordo com o relatório divulgado, os pedidos de seguro-desemprego somaram 224 mil na semana encerrada em 9 de agosto, número 3 mil menor do que o da semana anterior e abaixo da estimativa de 229 mil.

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Por que os dados dos EUA mexem tanto com o câmbio?

Dólar
Imagem: ElenaR/Shutterstock

A manutenção de juros elevados nos Estados Unidos torna seus títulos do Tesouro mais atraentes, pois passam a oferecer retornos maiores em relação a outros países. Com isso, investidores internacionais buscam dólares para aplicar nesses ativos, elevando a demanda e valorizando a moeda norte-americana frente a outras divisas, incluindo o real.

Segundo analistas, o aumento dos yields dos Treasuries — principalmente nos prazos curtos — e a percepção de que cortes de juros pelo Fed podem ser mais tímidos em 2025 reforçaram a pressão sobre moedas emergentes.

“Apesar de não ser o principal indicador monitorado pelo Fed, o dado sugere que empresas podem, no futuro, repassar mais custos ao consumidor, reduzindo as expectativas de cortes agressivos de juros em 2025”, William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Ibovespa reage e bancos puxam alta

No início do pregão, o Ibovespa chegou a recuar mais de 0,70%, voltando ao patamar de 135 mil pontos. No entanto, a força de grandes bancos inverteu o cenário e, por volta das 13h10, o índice subia 0,31%, aos 137.105 pontos.

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) figuraram entre as maiores altas do dia, avançando 3,37%. A divulgação do balanço financeiro da instituição animou investidores, que esperavam resultados sólidos.

Outros papéis do setor bancário também acompanharam o movimento positivo:

  • Itaú Unibanco (ITUB4): +0,66%
  • Itaú Unibanco (ITUB3): +0,15%
  • BTG Pactual (BPAC11): +1,99%
  • Bradesco (BBDC3): +0,36%
  • Bradesco (BBDC4): +0,37%

Pressão negativa de Petrobras e Vale

Apesar do avanço do índice, ações de Petrobras e Vale impediram uma alta mais robusta.

  • Petrobras (PETR4): queda de 0,59%, mesmo com a alta do petróleo no mercado internacional.
  • Vale (VALE3): recuo de 1,42%, refletindo cautela com a demanda global por minério de ferro.

Economia brasileira mostra resiliência

Do lado doméstico, o destaque foi o setor de serviços, que registrou crescimento de 0,3% em junho, segundo o IBGE. Foi o quinto mês consecutivo de alta, acumulando avanço de 2% desde fevereiro e atingindo o maior patamar da série histórica iniciada em 2011.

O setor agora opera 18% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, reforçando sinais de recuperação da economia.

Tensões comerciais e incertezas políticas

As tensões comerciais com os Estados Unidos voltaram ao radar do mercado. Ontem, o governo de Donald Trump retirou a autorização de entrada de dois brasileiros, citando suas atuações no programa Mais Médicos.

Além disso, o governo brasileiro apresentou um plano de contingência contra tarifas comerciais, mas a proposta foi considerada insuficiente por parte do mercado, adicionando cautela aos negócios na Bolsa.

Temporada de balanços no foco

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Imagem: alexgrec – Freepik

Além do Banco do Brasil, a BRF também está entre as empresas mais observadas do dia, com expectativa para divulgação de resultados que devem refletir os impactos da gripe aviária no trimestre.

Ao todo, pelo menos 17 companhias de diferentes setores devem apresentar seus números nesta semana, o que deve influenciar tanto o câmbio quanto a Bolsa nos próximos pregões.

Com informações de: UOL

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