A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) apresentou à Câmara dos Deputados o projeto de lei 3.831/2025, chamado “PL da Soberania Financeira”, que busca impedir que bancos e instituições financeiras no Brasil apliquem bloqueios, restrições ou suspensões de contas com base em sanções de governos estrangeiros sem aval das autoridades brasileiras.
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“Nas últimas semanas temos visto sucessivos ataques imperialistas dos EUA contra a soberania brasileira, como a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes”, afirmou Melchionna.
A proposta determina que qualquer ação de bloqueio ou restrição baseada em sanções estrangeiras é nula no território nacional, a menos que haja homologação por autoridade brasileira competente. O objetivo é reafirmar a soberania financeira do país e evitar que decisões externas interfiram nas relações econômicas internas.
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O que prevê o PL da Soberania Financeira
O texto do projeto 3.831/2025 especifica:
“É nula, no território nacional, qualquer comunicação, bloqueio, restrição ou encerramento de conta de clientes, residentes ou não, com fundamento em sanções impostas por governos ou autoridades estrangeiras, sem a devida homologação por autoridade brasileira competente.”
Segundo Melchionna, o projeto busca proteger cidadãos e empresas brasileiras de interferências externas e reforçar que a Constituição da República deve prevalecer em qualquer decisão financeira no país.
“O PL da Soberania Financeira reafirma um princípio básico: no Brasil, vigora a Constituição da República. A soberania nacional não pode se submeter a imposições unilaterais de potências imperialistas nem à lógica de dependência ditada por pressões econômicas e geopolíticas”, disse a deputada.
Contexto da Lei Magnitsky

A Lei Magnitsky, aprovada nos EUA em 2012, autoriza o governo norte-americano a bloquear recursos financeiros e vetar a entrada de estrangeiros. Originalmente criada para punir autoridades russas, a legislação foi expandida em 2016 pelo Global Magnitsky Human Rights Accountability Act, atingindo cidadãos de qualquer país.
No caso recente, a Casa Branca incluiu o ministro do STF, Alexandre de Moraes, na lista de sanções, conforme publicação do OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA) em 30 de julho de 2025.
Implicações para bancos e instituições financeiras
Caso a proposta seja aprovada, bancos, corretoras e demais entidades sob supervisão do Banco Central e da CVM não poderão mais aplicar sanções estrangeiras unilateralmente. O projeto reforça que qualquer interferência externa deve passar pela homologação brasileira, protegendo clientes de possíveis bloqueios arbitrários.
Essa medida pode afetar instituições financeiras com operações internacionais, especialmente aquelas com agências nos EUA, que precisarão escolher entre manter clientes brasileiros ou manter suas operações no território norte-americano.
Repercussão política
O anúncio da proposta gerou debates sobre soberania nacional, política externa e relações financeiras internacionais. Para Melchionna, os recentes casos envolvendo sanções externas representam ataques à autonomia do Brasil, destacando a necessidade de uma lei que resguarde interesses nacionais.
“Nas últimas semanas temos visto sucessivos ataques imperialistas dos EUA contra a soberania brasileira, como a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes”, disse em suas redes sociais.
O projeto também acende discussões sobre independência do sistema financeiro brasileiro frente a pressões econômicas globais, com implicações diretas para clientes, bancos e autoridades reguladoras.
Situação atual dos bancos brasileiros
Atualmente, mesmo sem a aprovação do PL, os bancos podem optar por ignorar sanções estrangeiras, mas essa decisão envolve risco de perder acesso a mercados internacionais, especialmente nos EUA.
Segundo analistas financeiros:
- Bancos com operação nos EUA devem avaliar cuidadosamente o impacto de manter clientes sujeitos à Lei Magnitsky;
- Instituições totalmente nacionais podem seguir atendendo clientes afetados, mas estarão limitadas no acesso a serviços internacionais;
- A legislação brasileira ainda não obriga os bancos a seguirem sanções externas, mas a falta de um marco legal claro gera insegurança jurídica.
Opinião de especialistas
Especialistas em direito internacional e finanças destacam que o PL da Soberania Financeira poderia fortalecer a posição do Brasil em negociações internacionais, mas também poderia gerar atritos diplomáticos.
“O projeto busca proteger a soberania nacional, mas sua implementação precisa considerar impactos econômicos e comerciais, especialmente para instituições com vínculos no exterior”, afirma um consultor jurídico do setor bancário.
Próximos passos do PL 3.831/25

O projeto agora seguirá para comissões temáticas da Câmara, onde será discutido e votado antes de seguir para o Senado. Caso aprovado, estabelecerá diretrizes claras para que bancos e instituições financeiras respeitem a soberania nacional ao lidar com sanções estrangeiras.
Conclusão
O PL da Soberania Financeira, de Fernanda Melchionna, representa uma tentativa de blindar o Brasil contra sanções externas, reforçando que a Constituição e a legislação brasileira devem prevalecer sobre legislações estrangeiras, como a Lei Magnitsky.
“O Brasil não pode se submeter a imposições unilaterais de potências imperialistas nem à lógica de dependência econômica e geopolítica”, conclui a deputada.
A proposta ainda deve gerar debates sobre equilíbrio entre soberania financeira, relações internacionais e segurança jurídica, impactando clientes, bancos e a política externa brasileira nos próximos anos.
Com informações de: Poder360
