O Escritório do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou, pela segunda vez, o adiamento da reunião com os membros da Secretaria Extraordinária da COP30. O encontro, que inicialmente estava marcado para a segunda-feira, 11, havia sido remarcado para quinta-feira, 14. Até o momento, uma nova data ainda não foi divulgada.
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Segundo nota oficial, o adiamento ocorreu a pedido da ONU, sem detalhar os motivos. A reunião tem como objetivo discutir questões essenciais para a realização da Conferência do Clima em Belém, no Pará, prevista para novembro. Entre os pontos centrais estão a hospedagem e a logística de acomodações para participantes nacionais e internacionais.
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A menos de três meses para o início da COP30, o Brasil enfrenta pressões internacionais para reconsiderar a escolha do local do evento. O principal motivo é a cobrança abusiva por hospedagem na capital paraense, que já resultou no cancelamento de participações importantes, como a do presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, e sua comitiva.
A situação chamou a atenção de organismos internacionais e da mídia global, gerando debates sobre a acessibilidade e a transparência nos custos do evento. A preocupação é que preços elevados e falta de infraestrutura adequada possam comprometer a presença de delegações de diversos países.
Alternativas de hospedagem e medidas do governo
Para contornar a crise, os organizadores da COP30 estão buscando alternativas de acomodação. Entre as soluções propostas estão a utilização de cruzeiros que devem atracar na região e servir como hotéis temporários, além de negociações para garantir hospedagem para as principais comitivas internacionais.
A Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça, também acompanha a situação e pretende coibir práticas de cobrança abusiva. O órgão tem atuado em conjunto com a organização do evento para fiscalizar e regularizar os preços, buscando evitar novos cancelamentos.
Posicionamento da presidência da COP30
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, reafirmou que não há intenção de mudar o local do evento. Para ele, Belém representa um exemplo real da situação de um país em desenvolvimento e, por isso, é o local ideal para sediar discussões sobre o futuro climático.
Corrêa do Lago enfatizou que, apesar das pressões, a equipe organizadora está focada em garantir a estrutura necessária e acomodar todos os participantes, mantendo a cidade como sede oficial da conferência.
Impactos do adiamento e expectativas para a conferência
O atraso na reunião entre a ONU e os organizadores levanta preocupações sobre o planejamento final da COP30. A logística de hospedagem é apenas um dos desafios; outros pontos, como segurança, transporte e alimentação, também dependem de alinhamento entre autoridades internacionais e locais.
Especialistas alertam que, se os problemas não forem resolvidos rapidamente, a imagem do Brasil no cenário internacional pode ser afetada, e a participação de delegações importantes pode ser comprometida. No entanto, há otimismo por parte de autoridades locais, que veem a conferência como uma oportunidade de mostrar a capacidade do país em sediar grandes eventos globais, mesmo com limitações de infraestrutura.
Conclusão
A segunda postergação da reunião da ONU com os organizadores da COP30 reflete os desafios logísticos e econômicos enfrentados pelo Brasil na preparação do evento. Com menos de 90 dias para a conferência, a atenção internacional permanece sobre Belém, especialmente em relação às questões de hospedagem e cobranças abusivas.
O sucesso da COP30 dependerá não apenas da estrutura oferecida, mas também da habilidade do país em equilibrar custos e garantir participação plena de delegações globais. Até o momento, a cidade paraense segue confirmada como sede, com esforços concentrados em oferecer soluções práticas para todos os participantes.
Imagem: Poetra.RH/Shutterstock