Licença-paternidade: veja quais países lideram o ranking
Confira quais países lideram o ranking mundial de licença-paternidade e como o Brasil se compara.
A participação ativa dos pais nos primeiros dias de vida do bebê é cada vez mais reconhecida como essencial para o desenvolvimento da criança e para o equilíbrio familiar. No Brasil, essa discussão ganhou novo impulso com o projeto que amplia a licença-paternidade de cinco para quinze dias, garantindo também estabilidade no emprego por até 30 dias após o retorno.
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Apesar de ser um avanço significativo, o país ainda está longe de se igualar às nações que oferecem períodos mais prolongados de afastamento, mostrando que há espaço para evolução nas políticas de cuidado parental.
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Licença-paternidade no mundo: panorama global

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 115 países concedem algum tipo de licença-paternidade. A média global é de apenas nove dias de afastamento, mas a realidade varia bastante entre regiões e nações:
- 102 países garantem remuneração durante o período;
- 49 países oferecem pelo menos dez dias de licença;
- 30 países estendem o direito a trabalhadores autônomos;
- 41 incluem pais adotivos;
- 20 contemplam pais do mesmo sexo.
A pesquisa revela que apenas 234 milhões de homens em idade reprodutiva, o equivalente a 11,8% dos potenciais pais no mundo, vivem em países que oferecem mais de dez dias de afastamento. Dentro desse grupo, cerca de 10% estão em nações que concedem entre 10 e 15 dias — faixa em que o Brasil, caso o projeto seja aprovado, se encaixaria.
Países que lideram o tempo de afastamento paterno
O contraste entre o Brasil e algumas nações é bastante significativo:
- Eslováquia: 197 dias;
- Islândia: 183 dias;
- Espanha: 112 dias;
- Armênia: 61 dias;
- Países Baixos: 42 dias.
Na outra ponta do ranking, países como Chile, México, Nicarágua, Vietnã e Zâmbia oferecem apenas cinco dias, enquanto Malta, Nigéria, Senegal, Angola e Barém limitam o benefício a apenas um dia.
Esses números evidenciam uma enorme desigualdade global no reconhecimento do papel do pai nos cuidados iniciais com a criança.
Desigualdade regional na concessão da licença
A distribuição da licença-paternidade mostra diferenças marcantes por região. Na Europa e Ásia Central, quase sete em cada dez potenciais pais vivem em países que garantem pelo menos um dia de afastamento remunerado.
Já na Ásia e Pacífico, menos de dois em cada dez homens têm direito a qualquer período de licença remunerada, refletindo diferenças culturais, estruturais e políticas que ainda limitam a participação paterna nos primeiros dias do bebê.
A importância do avanço brasileiro
Embora 15 dias ainda seja um período relativamente curto se comparado aos líderes globais, a ampliação da licença-paternidade no Brasil é um marco importante na proteção aos direitos dos pais e das famílias.
Especialistas apontam que o afastamento permite que o pai participe ativamente dos cuidados iniciais, estabeleça vínculo afetivo e apoie a mãe nos primeiros dias após o nascimento, contribuindo para a saúde física e emocional da criança.
Além disso, o projeto que amplia o benefício e garante estabilidade no emprego é fundamental para reduzir a desigualdade de gênero no ambiente de trabalho, permitindo que homens possam assumir responsabilidades parentais sem receio de represálias profissionais.
Benefícios da licença-paternidade para a sociedade
Mais do que dias de afastamento, a licença-paternidade representa um investimento social. Pesquisas internacionais indicam que períodos maiores de licença paterna contribuem para:
- Fortalecimento dos vínculos familiares;
- Desenvolvimento saudável da criança;
- Redução de estresse materno e aumento do bem-estar familiar;
- Promoção da igualdade de gênero;
- Melhoria da produtividade e satisfação no trabalho ao equilibrar responsabilidades profissionais e familiares.
O que falta para o Brasil alcançar líderes mundiais

Apesar do avanço recente, ainda há um longo caminho para que o Brasil se aproxime de países como Eslováquia, Islândia e Espanha. Especialistas destacam que não é apenas a quantidade de dias, mas a política de remuneração e inclusão de diferentes tipos de famílias que determinam a eficácia da licença-paternidade.
O incentivo à participação paterna, especialmente em períodos mais prolongados, contribui para quebrar padrões tradicionais de cuidado exclusivamente feminino e promove a corresponsabilidade no lar.