Plano de contingência da XP pode chegar a R$ 9,5 bi com efeito limitado na economia

 

Plano de contingência da XP pode chegar a R$ 9,5 bi com efeito limitado na economia

O governo federal anunciou na quarta-feira (13) um Plano de Contingência em resposta ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. A medida, que combina alívio econômico, proteção trabalhista e articulação diplomática, visa conter os efeitos negativos sobre a atividade econômica nacional, preservar o comércio exterior e manter a sustentabilidade das contas públicas.

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O plano é uma reação direta às políticas protecionistas do presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano), que reacendeu a guerra comercial com parceiros internacionais em 2025. Para o Brasil, as tarifas representam um desafio considerável, especialmente no setor de exportações industriais e manufaturadas.

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Entenda o plano anunciado pelo governo

Componentes principais do pacote

O Plano de Contingência envolve três eixos centrais:

  • Apoio econômico doméstico: Inclui diferimento de impostos federais por dois meses para empresas diretamente afetadas e linha de crédito especial de R$ 30 bilhões via Fundo Garantidor de Exportações (FGE).
  • Proteção trabalhista: Estímulo à manutenção do emprego por meio de flexibilização de jornadas e acesso a programas de proteção temporária.
  • Diplomacia comercial: Ações do Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para renegociar os termos tarifários com os EUA e buscar novos parceiros comerciais.

Diferimento tributário

Segundo a medida provisória enviada ao Congresso Nacional, as empresas afetadas poderão adiar o pagamento de tributos federais por 60 dias. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que essa postergação será encerrada por meio de ato administrativo, evitando que o benefício se torne permanente.

“Sabemos do risco fiscal de abrir exceções tributárias em tempos de crise. Por isso, o plano prevê uma medida temporária e controlada”, explicou Durigan.

Linha de crédito emergencial

O pacote também contempla a criação de uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões, operada por meio do Fundo Garantidor de Exportações (FGE). O objetivo é oferecer liquidez às empresas exportadoras que perderam contratos ou enfrentam dificuldades logísticas e operacionais devido ao aumento das tarifas norte-americanas.

Impactos na economia brasileira

Projeção do PIB: efeito menor que o esperado

De acordo com análise da equipe macroeconômica da XP Investimentos, o impacto do tarifaço de Trump no Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 tende a ser modesto. A estimativa mais recente é de uma redução de até 15 pontos-base no crescimento do PIB, ou seja, uma desaceleração de 0,15 ponto percentual.

Essa projeção representa uma melhora em relação à avaliação anterior feita em julho, quando se previa uma perda de até 0,3 ponto percentual. Com o novo plano de alívio anunciado pelo governo, a XP acredita que o impacto líquido poderá ser ainda menor, reforçando a resiliência da economia brasileira frente ao cenário internacional adverso.

“O programa de alívio reforça nossa visão de que o efeito líquido sobre a atividade econômica em 2025 pode ser menor do que o previsto anteriormente”, avalia a XP.

Exportações: perdas concentradas, mas limitadas

Em relação à balança comercial, a XP não prevê alterações substanciais em seu cenário anterior. O impacto máximo estimado nas exportações brasileiras para este ano é de US$ 3,5 bilhões. Esse montante corresponde a uma fração das vendas externas totais do país, que ultrapassam US$ 300 bilhões anuais.

A maior preocupação recai sobre setores com forte presença nos Estados Unidos, como calçados, têxteis, máquinas e produtos químicos. A soja e o minério de ferro, que lideram a pauta exportadora brasileira, não foram diretamente afetados pelo tarifaço.

Contas públicas: impacto fiscal limitado

A estimativa da XP é que o custo do pacote de contingência fique em torno de R$ 6 bilhões em 2025. Mesmo com esse adicional, a projeção atual do déficit primário, que era de R$ 63,7 bilhões (ou R$ 15 bilhões excluindo precatórios), subiria para R$ 69,7 bilhões.

Ainda assim, o resultado se manteria dentro da meta estabelecida pelo novo arcabouço fiscal, que prevê um limite inferior de até R$ 31 bilhões de déficit para o ano. Segundo a equipe econômica, os efeitos fiscais serão acomodados sem necessidade de cortes adicionais ou aumento de impostos.

“A medida é pontual e cabe dentro do teto orçamentário vigente”, reforça nota do Ministério da Fazenda.

Reações e análises do mercado

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Imagem: Ground Picture / Shutterstock.com

Sinalização positiva para investidores

Apesar do contexto adverso, o anúncio do plano foi bem recebido por analistas e investidores. A leitura predominante é de que o governo atuou de forma rápida e coordenada, evitando que a crise comercial se transformasse em crise de confiança no cenário doméstico.

Empresas do setor exportador também avaliaram positivamente as linhas de crédito e os mecanismos de proteção tributária. Ainda assim, líderes empresariais cobram soluções de médio prazo que vão além do alívio emergencial.

Risco de dependência de medidas temporárias

Alguns especialistas, no entanto, alertam para o risco de o governo criar precedentes difíceis de reverter. “Toda vez que o país enfrenta um choque externo, há uma tendência de abrir exceções fiscais e ampliar o gasto público. Isso compromete a credibilidade do arcabouço no longo prazo”, argumenta a economista Renata Grandi, da consultoria Delta Macro.

O papel da diplomacia brasileira

Negociações com os Estados Unidos

Além do plano doméstico, o governo brasileiro intensificou contatos diplomáticos com Washington para tentar reverter ou mitigar os efeitos das tarifas. O chanceler Mauro Vieira e representantes do Ministério da Indústria estão articulando reuniões com autoridades norte-americanas nas próximas semanas.

A expectativa é que o Brasil consiga pelo menos ampliar a lista de exceções ao tarifaço, como já ocorreu no fim de julho, quando alguns setores industriais foram retirados da medida.

Abertura de novos mercados

Paralelamente, o Brasil tem buscado fortalecer relações comerciais com países da Ásia, Europa e América Latina. A estratégia visa diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência dos Estados Unidos.

O Itamaraty também voltou a discutir com membros do Mercosul a aceleração do acordo com a União Europeia, que poderia abrir novos canais de escoamento para a produção nacional.

Desdobramentos esperados

Revisões futuras do plano

O governo sinalizou que o plano de contingência poderá ser ajustado conforme a evolução do cenário internacional. Uma nova análise dos impactos será feita em outubro, quando o comportamento da balança comercial e os indicadores de atividade serão atualizados com mais precisão.

Se necessário, novas medidas poderão ser incluídas no pacote ou prorrogadas para 2026. No entanto, a equipe econômica demonstra cautela em transformar as exceções emergenciais em políticas permanentes.

Monitoramento do PIB e do mercado externo

Previsão PIB
Imagem: rafastockbr/Shutterstock.com

A Secretaria de Política Econômica, vinculada ao Ministério da Fazenda, acompanhará os principais dados de comércio exterior, produção industrial e emprego nos setores afetados. A ideia é criar um painel de monitoramento que oriente decisões rápidas e baseadas em evidências.

Imagem: Reprodução/XP Investimentos

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