Após 133 anos, Kodak admite risco de falência e ações despencam mais de 25%
Kodak enfrenta dívidas de US$ 500 milhões e admite risco de fechar as portas após 133 anos de história na fotografia.
A Eastman Kodak, um dos nomes mais icônicos da história da fotografia, enfrenta um dos períodos mais críticos de seus 133 anos de existência. Segundo o último balanço divulgado na segunda-feira (11), a empresa não possui financiamento garantido nem liquidez suficiente para quitar cerca de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,7 bilhões) em dívidas que vencem em breve.
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No documento, a companhia admitiu que essa situação “levanta dúvidas substanciais” sobre sua capacidade de manter as operações, provocando uma queda de mais de 25% nas ações logo após o anúncio.
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Balanço negativo e queda nas receitas

Os números reforçam o clima de incerteza. No segundo trimestre de 2025, a Kodak registrou prejuízo de US$ 26 milhões e uma queda de 1% na receita em comparação com o mesmo período de 2024. O desempenho ficou bem abaixo das expectativas de mercado, evidenciando as dificuldades para retomar crescimento sustentável.
Essa não é a primeira vez que a empresa lida com graves problemas financeiros, mas especialistas alertam que o cenário atual é mais desafiador pela falta de ativos líquidos e pela pressão dos credores.
Do auge ao declínio
A história da Kodak é marcada por inovação e protagonismo no setor fotográfico. A jornada começou em 1879, quando George Eastman registrou sua primeira patente para uma máquina de revestimento de chapas.
Em 1888, a empresa lançou a primeira câmera Kodak por US$ 25 — o equivalente a cerca de R$ 125 na cotação atual — acompanhada do famoso slogan: “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”. Essa abordagem popularizou a fotografia entre consumidores comuns, transformando o ato de registrar imagens em um hábito global.
Durante o século XX, a Kodak dominou o mercado de câmeras e filmes fotográficos, tornando-se sinônimo de fotografia. No entanto, a partir da década de 1970, um avanço tecnológico mudaria seu destino: a fotografia digital.
Ironicamente, a própria Kodak ajudou a desenvolver essa tecnologia em 1975, mas optou por não priorizá-la comercialmente, temendo canibalizar seu negócio principal de filmes. A decisão acabou custando caro.
A crise e a primeira falência
Nos anos 1990, a queda nas vendas de filmes e câmeras analógicas foi vertiginosa. A Kodak acumulou dívidas bilionárias e, em 2012, pediu falência com um passivo de US$ 6,75 bilhões (cerca de R$ 36 bilhões).
Após um processo de reestruturação, a empresa tentou se reinventar, investindo em serviços de impressão, produção de filmes para cinema e até no setor farmacêutico. Em 2020, recebeu um contrato do governo dos EUA para fabricar ingredientes farmacêuticos, em uma tentativa de diversificar receitas.
Apesar dessas iniciativas, o peso da dívida e a forte concorrência no setor tecnológico limitaram a recuperação.
O cenário atual: dívida e incerteza
Hoje, a Kodak ainda mantém produção de filmes fotográficos e produtos químicos voltados à indústria cinematográfica, além de licenciar sua marca para diversos itens de consumo.
Mas o endividamento de US$ 500 milhões e a falta de liquidez imediata colocam a sobrevivência da empresa em risco. O relatório recente deixou claro que sem novos financiamentos ou renegociações, a continuidade das operações está comprometida.
Plano de recuperação e medidas emergenciais
Para enfrentar a crise, a Kodak estuda medidas drásticas, como a suspensão dos pagamentos do plano de aposentadoria dos funcionários. Ainda assim, analistas apontam que essa ação sozinha dificilmente será suficiente para estabilizar as finanças.
Outro desafio vem do cenário internacional: tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump impactaram negativamente as operações da empresa.
Reação do mercado
O impacto no mercado financeiro foi imediato. Logo após a divulgação do balanço e do alerta de possível falência, as ações da Kodak despencaram mais de 25% na bolsa americana.
Investidores interpretaram o comunicado como um sinal de que a empresa pode não conseguir cumprir suas obrigações no curto prazo.
O legado da marca
Independentemente do desfecho, a Kodak deixa um legado marcante. Seu nome está gravado na história da fotografia e da cultura popular. Filmes e câmeras Kodak registraram momentos históricos, desde eventos familiares até grandes coberturas jornalísticas.
Sua trajetória também é frequentemente citada como exemplo de como empresas líderes podem sucumbir por não se adaptarem rapidamente a inovações disruptivas.
Lições para o mercado
Especialistas em negócios destacam que a história da Kodak reforça a importância de investir em inovação contínua e adaptar modelos de negócios diante de mudanças tecnológicas.
A postura conservadora em relação à fotografia digital é vista como um dos principais erros estratégicos da companhia, que perdeu espaço para concorrentes mais ágeis como Canon, Sony e, posteriormente, para os próprios smartphones.
Futuro incerto
No curto prazo, o futuro da Kodak dependerá de sua capacidade de renegociar dívidas e encontrar novas fontes de receita. Caso contrário, uma nova falência ou até o fechamento definitivo da empresa pode se tornar realidade.
Mesmo assim, parte dos analistas acredita que a força da marca e o valor histórico podem atrair investidores ou compradores interessados em revitalizar o negócio.
Com informações de: g1