O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou no dia 30 de julho um decreto que eleva as tarifas de importação de produtos brasileiros para até 50%, com a imposição de uma taxa adicional de 40%. No entanto, a decisão surpreendeu ao incluir uma extensa lista de exceções: quase 700 itens não sofrerão a sobretaxa.
A medida, que entra em vigor em 6 de agosto, é vista como um duro golpe para parte do setor exportador brasileiro, mas também como um alívio estratégico para áreas consideradas sensíveis tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

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Impacto inicial da tarifa
A nova tarifa total de 50% representa uma elevação significativa nos custos de exportação para empresas brasileiras. Produtos que não forem contemplados pela lista de exceções terão sua competitividade drasticamente reduzida no mercado americano.
O decreto de Trump busca priorizar a produção doméstica e a segurança econômica dos Estados Unidos, mas sua implementação parcial sinaliza a intenção de preservar cadeias produtivas integradas com o Brasil, especialmente em setores como o aeronáutico e o energético.
Setores mais afetados
Apesar das exceções, setores como o têxtil, calçadista, de móveis e de alimentos industrializados devem ser os mais prejudicados. Exportadores desses segmentos já se movimentam para tentar renegociar contratos, redirecionar mercados ou buscar compensações diplomáticas.
Setores beneficiados com as isenções
Aeronaves civis
O setor aeronáutico brasileiro, especialmente a Embraer, foi um dos principais beneficiados. A empresa brasileira realiza quase metade das suas vendas de jatos comerciais para os Estados Unidos e mais de 70% no segmento de jatos executivos. A inclusão de aeronaves, peças, motores e simuladores de voo na lista de exceções fez as ações da companhia dispararem.
Veículos e componentes automotivos
Também estão fora da tarifa veículos de passeio, SUVs, caminhões leves e seus respectivos componentes. Isso protege uma parte importante da indústria automotiva brasileira, que integra cadeias globais com fornecedores e montadoras norte-americanas.
Eletrônicos e equipamentos de comunicação
Entre os eletrônicos isentos, destacam-se smartphones, aparelhos de som e vídeo, antenas, cabos e outros dispositivos de comunicação. A decisão evita maiores impactos sobre empresas brasileiras que importam insumos e exportam tecnologia para o mercado dos EUA.
Produtos agrícolas e extrativistas entre os isentos

Alimentos e bebidas
Produtos como suco e polpa de laranja, castanha-do-brasil e mica bruta continuam com acesso ao mercado americano sem a nova tarifa. Isso preserva parte importante das exportações agrícolas brasileiras, especialmente no setor de frutas e derivados.
Fertilizantes e insumos agrícolas
Vários tipos de fertilizantes amplamente utilizados no Brasil foram excluídos da tarifa. A medida beneficia diretamente o agronegócio, que depende dessas importações para manter a produtividade no campo.
Madeira e fibras naturais
Itens como madeira tropical serrada, polpa de madeira e fios de sisal também ficaram de fora. A decisão contribui para manter as exportações de produtos extrativistas, especialmente de regiões como a Amazônia Legal e o Nordeste.
Energia e metais estratégicos
Combustíveis e derivados
Gás natural, petróleo, carvão, parafina, óleos lubrificantes e até energia elétrica foram isentados da sobretaxa. A escolha protege as cadeias de suprimento energético entre os dois países.
Metais e minerais industriais
Produtos como silício, ferro-gusa, estanho, alumina, ferroníquel, ferronióbio e até metais preciosos como ouro e prata foram preservados da tarifa. Tais itens são fundamentais para a indústria de alta tecnologia e siderúrgica dos Estados Unidos.
Isenções por critérios logísticos e humanitários
Bens em trânsito
Produtos que já estavam a caminho dos EUA antes da entrada em vigor da nova regra, e que desembarcarem até 5 de outubro, não serão tarifados. Essa exceção evita prejuízos para contratos em curso e garante previsibilidade para empresas brasileiras.
Bens retornados aos EUA
Itens que haviam sido exportados para manutenção ou modificação e que retornam sob certas condições também foram excluídos. No entanto, a isenção só vale caso o valor agregado não ultrapasse certos limites definidos no decreto.
Produtos de uso pessoal e donativos
Passageiros que ingressarem nos EUA com bagagens acompanhadas contendo produtos brasileiros não serão afetados. Também estão isentos os donativos destinados à ajuda humanitária, como alimentos, roupas e medicamentos.
Conteúdos culturais e educacionais
Livros, filmes, pôsteres, CDs, obras de arte e materiais jornalísticos continuam isentos. A medida preserva a circulação de informações, cultura e conhecimento entre os dois países.
O que esperar a partir de agora

Especialistas acreditam que a tarifa de Trump pode desencadear uma resposta do governo brasileiro, possivelmente com medidas compensatórias ou ajustes diplomáticos. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que busca diálogo com o governo americano para discutir os impactos e tentar reverter a medida.
Enquanto isso, associações de exportadores e representantes industriais se organizam para mensurar os prejuízos e adaptar suas estratégias de mercado. A lista de exceções, ainda que extensa, não é suficiente para anular os efeitos da nova tarifa, mas pode ser crucial para amortecer seus impactos.


