Prazo para trabalho em domingos e feriados muda, mas desafios continuam

 

Prazo para trabalho em domingos e feriados muda, mas desafios continuam

Após dois adiamentos, a Portaria nº 3.665/2023, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), agora tem nova data para entrar em vigor: 1º de março de 2026. A norma, que altera as regras para o trabalho aos domingos e feriados, determina que será obrigatória a autorização expressa em convenção ou acordo coletivo com o sindicato da categoria para esse tipo de jornada.

Ainda que a exigência legal tenha sido postergada, os efeitos práticos da medida já começam a ser sentidos. A necessidade de diálogo com sindicatos e a reorganização das escalas de trabalho colocam empresas e setores produtivos em alerta.

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Comércio e serviços são os mais afetados

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Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil

Setores mais expostos à nova regra

Os segmentos mais impactados pela portaria são os que tradicionalmente dependem da operação contínua, como:

  • Supermercados
  • Shopping centers
  • Lojas de rua
  • Farmácias e drogarias
  • Restaurantes e bares
  • Serviços de delivery

Esses setores vinham operando com respaldo em autorizações legais ou municipais, sem a exigência de convenção coletiva. Agora, a negociação com os sindicatos se tornará uma etapa indispensável.

Impacto financeiro e logístico

Especialistas estimam que o impacto pode ser expressivo, principalmente em datas de alto fluxo de vendas, como feriados nacionais e datas comemorativas. As consequências incluem:

  • Fechamento de lojas e supermercados nos feriados
  • Redução da jornada de atendimento, o que pode gerar insatisfação de clientes
  • Aumento dos custos operacionais com contratações extras ou horas adicionais
  • Possível repasse de custos ao consumidor final

Por que a prorrogação foi considerada positiva

Apesar de gerar apreensão, o novo adiamento da entrada em vigor da portaria foi bem recebido por empresários e entidades do setor produtivo. Para muitos, trata-se de uma “janela estratégica” que permitirá:

  • Estudo detalhado dos impactos setoriais
  • Criação de estratégias de negociação sindical eficazes
  • Reestruturação de escalas e modelos de jornada
  • Adoção de soluções de tecnologia e automação para compensar ausências em feriados

Declarações de entidades representativas

Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o adiamento “reflete a sensibilidade do governo às necessidades dos setores que mantêm a economia ativa nos dias não úteis”, mas alerta que “o tempo não deve ser desperdiçado”.

A Federação Brasileira de Redes de Supermercados (Febrasp) também emitiu nota dizendo que já trabalha em modelos de negociação coletiva para garantir o funcionamento das lojas em datas estratégicas, como Natal, Ano-Novo e Carnaval.

Aspectos jurídicos: riscos reais para quem não se adaptar

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Imagem: Zolnierek / shutterstock.com

Multas e ações trabalhistas no horizonte

Empresas que ignorarem a exigência legal a partir de março de 2026 podem enfrentar:

  • Fiscalizações do MTE
  • Multas administrativas
  • Ações trabalhistas coletivas e individuais
  • Suspensões temporárias de funcionamento

Advogados especialistas em direito do trabalho alertam que a imprevisibilidade jurídica pode ser evitada com acordos bem estruturados e válidos por longo prazo.

Importância da segurança jurídica

Segundo a advogada trabalhista Camila Souza, “a chave está em estabelecer acordos com cláusulas claras, prazos definidos e previsões específicas para feriados estratégicos”. Ainda segundo ela, o objetivo é garantir que tanto a empresa quanto o trabalhador saibam com antecedência o que esperar.

Como as empresas devem se preparar até 2026

Etapas recomendadas de preparação

  1. Mapeamento de feriados importantes para o negócio
  2. Diagnóstico da atual jornada de trabalho em dias não úteis
  3. Consulta jurídica para avaliação de riscos
  4. Abertura de canais de negociação com sindicatos
  5. Simulações financeiras para medir o impacto das mudanças
  6. Revisão de contratos de trabalho e escalas de plantão
  7. Capacitação de gestores de RH para mediação com sindicatos

Uso de tecnologia como diferencial

Ferramentas de gestão de escalacontrole de jornada por aplicativo e contratos eletrônicos com assinatura digital podem ser úteis para garantir conformidade e otimização do processo de adaptação.

Cenário político e sindical

A posição do MTE

O Ministério do Trabalho e Emprego argumenta que a Portaria nº 3.665/2023 busca valorizar a negociação coletiva e os direitos dos trabalhadores, especialmente em setores em que a jornada aos domingos e feriados se tornou habitual.

Reação dos sindicatos

Sindicatos laborais vêm recebendo a nova norma com resistência moderada e expectativa de fortalecimento do papel sindical. Para muitos, a medida representa oportunidade de ampliar o diálogo e conquistar garantias extras para os trabalhadores, como adicionais por feriado, compensações e melhores condições de descanso.

Negociações mais complexas e localizadas

A expectativa é que as negociações se tornem mais setorizadas e regionais, já que as demandas de um shopping center em São Paulo podem ser muito diferentes das de uma rede de supermercados no interior do Ceará, por exemplo.

O que esperar do futuro: desafios e oportunidades

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Pontos positivos possíveis

  • Fortalecimento da negociação coletiva
  • Melhora na relação entre patrões e empregados
  • Mais clareza jurídica nas operações aos feriados
  • Redução de ações judiciais em médio prazo

Desafios ainda no radar

  • Resistência de sindicatos em setores menos organizados
  • Custos elevados para pequenas empresas
  • Falta de padronização nacional nas convenções coletivas
  • Risco de judicialização excessiva nos primeiros anos de vigência

Conclusão: o tempo é curto para quem precisa mudar muito

A prorrogação da Portaria nº 3.665/2023 representa mais que um alívio: é um convite para a ação estratégicaEmpresas que aproveitarem o tempo até março de 2026 para adequar suas operações, firmar acordos sólidos com sindicatos e atualizar sua estrutura jurídica e operacional terão mais chances de garantir competitividade, segurança e continuidade em datas que antes pareciam garantidas.

Quem deixar para a última hora poderá enfrentar não apenas um feriado com portas fechadas, mas uma série de consequências jurídicas e financeiras difíceis de reverter. O tempo passa — e a portaria virá.

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