Japão deve abrir mercado para carne bovina brasileira em novembro, apesar do tarifaço de 50%
Japão anuncia abertura para carne bovina brasileira em novembro, apesar do tarifaço dos EUA. Setor enfrenta desafios e oportunidades.
O mercado da carne bovina brasileira enfrenta um cenário desafiador em 2025, marcado pela guerra tarifária impulsionada pelos Estados Unidos, mas também pela perspectiva de ampliação das exportações para países asiáticos importantes. Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o Japão deve anunciar oficialmente em novembro a abertura de seu mercado para a carne bovina do Brasil, mesmo diante do tarifaço de 50% imposto pelo governo americano.
“Após a declaração de que o Brasil está livre de febre aftosa em todo o território, sem vacinação, todos os estados do país terão a oportunidade de exportar para o Japão. Estamos aguardando um anúncio positivo, com a previsão até novembro, quando o primeiro-ministro japonês estará no Brasil para participar da COP30”, declarou Perosa durante o programa Agro em Pauta, da EXAME.
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Mercados asiáticos em foco

O Japão é apenas uma das esperanças para o setor em 2025. Além do país, o governo brasileiro aposta na abertura dos mercados da Turquia, Vietnã e Coreia do Sul — juntos responsáveis por cerca de 30% da demanda global por carne bovina. Até o momento, somente o Vietnã confirmou a liberação para importações brasileiras.
Quanto à Turquia, o presidente da Abiec revelou que negociações seguem em curso, com “detalhes técnicos” a serem ajustados para viabilizar as exportações. “A Turquia busca garantias sobre os animais que serão exportados, incluindo testes para a presença de substâncias específicas na ração e no próprio animal. Estamos avaliando como atender a essas exigências sem causar impactos no setor produtivo”, explicou Perosa.
Por outro lado, a Coreia do Sul enfrenta maiores incertezas. Em meio a uma crise política que culminou no impeachment do presidente Yoon Suk Yeol no final de 2024, o país apresenta negociações mais lentas. “O Ministério da Agricultura, por meio do secretário Luiz Rua, deverá visitar a Coreia do Sul nos próximos meses para retomar as negociações”, afirmou.
Impactos do tarifaço dos EUA
A tensão comercial global se intensifica com as novas tarifas americanas. Donald Trump impôs uma sobretaxa de 50% à carne bovina brasileira, ação que pode provocar efeitos negativos severos para o setor nacional. Roberto Perosa destacou que, inicialmente, “a desestruturação da cadeia interna pode baixar os preços da carne no Brasil”, mas alertou para consequências futuras: “no longo prazo, pode faltar carne, como já está acontecendo nos Estados Unidos”.
Atualmente, o Brasil exporta cerca de 400 mil toneladas de carne bovina para os EUA anualmente, mercado que, segundo Perosa, não tem substituto fácil. “Não temos uma alternativa de mercado tão acessível quanto o americano. Um grande volume, com preços competitivos, não existe. Não há mercado que absorva 400 mil toneladas”, afirmou.
Segundo cálculos da Abiec, caso a tarifa americana entre em vigor no dia 1º de agosto, o setor pode perder até US$ 1 bilhão em receita neste ano. “É um grande impacto para a cadeia, que não tem uma reacomodação imediata. Claro, existem outros destinos para os produtos, mas nenhum com a mesma característica do mercado americano, com esse tipo de corte e essa demanda de volume”, completou.
Crescimento das exportações para os EUA antes do tarifaço
Até o primeiro semestre de 2025, os embarques para os Estados Unidos cresceram 113% em volume em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 181,5 mil toneladas, e geraram receita de US$ 1 bilhão, alta de 102%, segundo dados da Abiec.
Esse desempenho mostra o quanto o mercado americano se tornou estratégico para a carne brasileira, tornando a imposição das tarifas um duro golpe.
Perspectivas para o setor

Apesar das dificuldades no mercado americano, a expectativa pela abertura do Japão e a continuidade das negociações com a Turquia e Coreia do Sul alimentam a esperança de estabilidade para o setor no médio prazo. A presença do primeiro-ministro japonês na COP30, prevista para novembro no Brasil, pode ser o momento decisivo para oficializar a liberação do mercado nipônico à carne bovina nacional.
Roberto Perosa ressaltou que o avanço nessas negociações é crucial para diversificar destinos e reduzir a dependência do mercado americano. “Expandir para outros países é fundamental para a segurança do setor e para que o Brasil continue sendo um grande exportador mundial de carne bovina”, afirmou.
Com informações de: Exame
