Ações da Puma sofrem forte queda por conta de prejuízo e tarifas comerciais

 

Ações da Puma sofrem forte queda por conta de prejuízo e tarifas comerciais

As ações da Puma caíram 16% nesta sexta-feira (25), após a empresa emitir um alerta de prejuízo anual. O comunicado da marca alemã de roupas e calçados esportivos confirmou que as vendas estão em queda e que as tarifas impostas pelos Estados Unidos prejudicaram diretamente o lucro operacional da companhia no segundo semestre de 2025.

A notícia provocou uma reação imediata no mercado financeiro. Investidores reagiram negativamente à nova perspectiva, temendo uma retração prolongada no desempenho da Puma, que já vinha enfrentando dificuldades nos últimos trimestres.

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Vendas abaixo do esperado e linha retrô decepcionante

Puma
Imagem: 13_Phunkod / shutterstock.com

Speedcat não empolga o consumidor

Um dos fatores destacados pela Puma para justificar os resultados negativos é o desempenho abaixo do esperado de sua linha de tênis retrô. O relançamento do modelo Speedcat, por exemplo, não conseguiu atrair o público consumidor como se imaginava.

Embora o movimento de nostalgia tenha funcionado para marcas concorrentes como Adidas e Nike, que conseguiram reviver modelos icônicos com grande aceitação no mercado, a estratégia não teve o mesmo sucesso com a Puma.

Mudança de comando e tentativa de reposicionamento

Novo CEO promete reestruturação

Arthur Hoeld, novo CEO da Puma desde 1º de julho de 2025, admitiu que a empresa precisa de uma reformulação urgente. Com uma longa trajetória como executivo de vendas da Adidas, Hoeld foi nomeado em abril com a missão de reverter os resultados da companhia.

“Este ano, 2025, será um ano de reinicialização para a Puma e 2026 será um ano de transição para nós”, afirmou Hoeld durante uma coletiva para analistas de mercado.

A fala do CEO indica que a recuperação da marca não será imediata, mas parte de uma estratégia de médio a longo prazo, com mudanças significativas em produtos, posicionamento e metas comerciais.

Impacto das tarifas dos EUA no desempenho global

Tarifa afeta diretamente os lucros

Outro ponto de atenção destacado pela Puma foi o impacto das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A companhia tem uma parcela relevante de sua receita vinculada ao mercado norte-americano, e os custos adicionais com tarifas sobre importações afetaram diretamente a rentabilidade.

Além da elevação de custos logísticos e operacionais, a empresa enfrenta maior concorrência de marcas nacionais e asiáticas nos Estados Unidos, pressionando ainda mais as margens de lucro.

Reação do mercado financeiro

Queda de 16% no valor das ações

A resposta dos investidores foi imediata: as ações da Puma listadas na Bolsa de Frankfurt fecharam em forte queda de 16%, refletindo a decepção com o alerta de prejuízo e o cenário adverso para os próximos trimestres.

A baixa representa uma das maiores quedas diárias da companhia nos últimos anos e acende um alerta para os investidores institucionais e fundos que mantêm participação relevante na empresa.

Analistas rebaixam projeções

Corretoras e bancos de investimento começaram a revisar suas projeções para a Puma. A maioria dos analistas reduziu a classificação das ações de “compra” para “manutenção” ou até “venda”. O consenso de mercado agora projeta um ano fiscal de margens apertadas e lucros comprimidos.

A consultoria Bernstein apontou que o maior desafio da Puma está na falta de diferenciação de seus produtos e na dificuldade de competir em inovação com gigantes como Nike, Adidas e até novos players como On Running e Hoka.

Estratégias para a retomada

Puma
Imagem: Andrey_Popov/shutterstock.com

Reestruturação de portfólio de produtos

Segundo o CEO Arthur Hoeld, a empresa deve focar na reformulação de seu portfólio de produtos. Isso inclui não apenas lançar novos modelos de tênis com maior apelo ao público jovem, mas também revisar categorias como vestuário e acessórios, com foco em performance e lifestyle.

Aposta no mercado asiático

A Puma também pretende intensificar sua presença na Ásia, especialmente na China e na Índia, onde o consumo de artigos esportivos segue em alta. A expansão nesses mercados pode ajudar a compensar o desempenho mais fraco nas Américas.

Digitalização e canais diretos

Outro foco será o investimento em canais digitais e vendas diretas ao consumidor, seguindo a tendência de desintermediação observada no setor. A empresa quer reduzir a dependência de varejistas tradicionais e ampliar a margem por meio de vendas online.

Concorrência acirrada no setor esportivo

Desafios diante de marcas consolidadas e novas entrantes

A Puma enfrenta uma competição cada vez mais intensa. Marcas como Nike e Adidas mantêm forte domínio de mercado, enquanto novas empresas ganham espaço com tecnologias exclusivas e parcerias com atletas e influenciadores.

Além disso, as colaborações entre marcas de moda e esportivas têm criado novos nichos que a Puma tem dificuldade de explorar com eficiência.

Perspectivas para o futuro

2025 como ano de reinício

A declaração de Hoeld de que 2025 será um “ano de reinicialização” é significativa. A companhia parece estar reconhecendo que o momento atual exige revisão completa de estratégia, portfólio, canais e posicionamento de marca.

2026 como ano de transição

A transição citada para 2026 indica que a Puma não projeta recuperação imediata de vendas ou lucros expressivos. A companhia deve utilizar o próximo ano para testar novos produtos, campanhas de marketing e reposicionar sua marca no mercado global.

Expectativa de novos investimentos

Investidores aguardam com atenção as próximas divulgações de resultados e, principalmente, anúncios de investimentos em inovação, tecnologia e novos contratos com celebridades e atletas que possam impulsionar o apelo da marca.

O que esperar da Puma nos próximos trimestres

Puma
Imagem: Freepik

O mercado acompanhará de perto o desempenho da Puma nos próximos balanços trimestrais. A expectativa é de resultados ainda modestos, com possibilidade de novos ajustes operacionais e até cortes de custos.

Analistas apontam que a Puma precisará mostrar sinais concretos de recuperação ainda em 2025 para manter a confiança do mercado. Caso contrário, a empresa corre o risco de ver seu valor de mercado continuar encolhendo em meio à pressão por resultados mais sólidos.

Conclusão

A forte queda das ações da Puma e o alerta de prejuízo anual evidenciam um momento crítico para a empresa alemã. Enfrentando vendas abaixo do esperado, impacto das tarifas dos EUA e dificuldades em reposicionar sua marca, a Puma agora aposta em uma profunda reestruturação sob nova liderança. Com 2025 marcado como ano de reinício e 2026 como transição, o sucesso da companhia dependerá de sua capacidade de inovar, se conectar com novos públicos e reconquistar a confiança do mercado global.

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